quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Maputo Hospitaleiro: Formação para trabalhadores informais



Maputo Hospitaleiro é uma iniciativa que resulta de uma aliança entre o  INEFP ( Maputo), Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Ministério do Turismo e a SNV. 

Este projeto objetiva colaborar com a estruturação dos micro-polos turísticos da cidade, a partir da formação de 400 trabalhadores informais que operam em atividades associadas ao turismo.

No momento e atendendo a Etapa 1 do projeto, a TUR-CONSULT tem elaborado um estudo completo a onde se apresentam valiosas informações sobre o perfil dos trabalhadores informais e suas necessidades de formação. Aqui vale a pena ressaltar que os trabalhadores informais movimentam mais de US$ 2.8 milhão de dólares na Cidade, tendo em torno dos 1500 trabalhadores.

Por esta e outras razões os trabalhadores informais constituem um importante elemento da cadeia de valor do turismo de Maputo, sendo ainda um fator relevante na satisfação do turista que visita a nossa cidade. 

Os trabalhadores informais associados ao turismo, não são necessariamente um problema da Cidade, são sim empreendedores que percebem no turismo uma oportunidade de auto-desenvolvimento, veja-se o caso dos vendedores de artesanato da FEIMA e da Feira do Pau.  

É fundamental que seja percebido que quando estabelecidas melhores condições de trabalho, os trabalhadores informais conseguem adaptar-se, organizar-se e atender a padrões mínimos de qualidade. Vejamos a revolução que se observa na FEIMA que é fantástica e serve como inspiração para avançar com outras propostas estruturantes. 

Sabia por exemplo que esta proibido vender Marfim na FEIMA?  Este tipo de orientação/ conquista  é possível e com isto o Turismo/ Artesanato, torna-se em um aliado do desenvolvimento e não ao contrário.      

É importante ressaltar que Maputo Hospitaleiro, esta integrado a agenda de desenvolvimento do turismo do Município, principalmente pelo seu compromisso em colaborar com a estruturação dos micro-polos turísticos, trabalho este que graças ao apoio do Vereador de Atividades Económicas João Munguambe, tem engrenado.

A expectativa que se tem e que o projeto beneficie pessoas na zonas da Marginal, Baixa e Mafalala, mas esta decisão irá depender do transcurso do trabalho e das decisões do Grupo de Coordenação.

Como já foi dito em artigos anteriores,  o projeto vem sendo implementado em 7 países graças ao financiamento da Comissão Europeia.  Em nosso país, foi batizado com o nome de  Moçambique Hospitaleiro, sendo que cada um dos destinos que esta a se beneficiar, neste caso Maputo e Inhambane, estão a adotar suas próprias marcas. 

Que viva Moçambique Hospitaleiro e seus dois filhos Maputo e Inhambane Hospitaleiro , e que s trabalhadores informais se tornem o futuro de uma industria cada vez mais inclusiva em Moçambique. 



Federico Vignati
Assessor Sénior de Desenvolvimento Económico da SNV
Coordenador do Programa Moçambique Hospitaleiro

terça-feira, 19 de julho de 2011

Maputo gasta 3.3 milhões de dólares em bebidas produzidas pela indústria Moçambicana

De acordo com um Estudo realizado pelo Observatório do Turismo da Cidade de Maputo, os segmentos de Hospedagem e de Bares & Restaurantes são importantes consumidores de bebidas fornecidas pela indústria nacional.
Calcula-se que até 57% do total das bebidas comercializadas nos Hotéis e nos Bares & Restaurantes da Cidade de Maputo sejam fornecidas por empresas que produzem no território nacional. A indústria do turismo gastou em 2010 um valor próximo de 3.3 milhões de dólares em bebidas, nomeadamente em cerveja, água e refrigerantes.
Existe, portanto, uma correlação directa entre o sucesso das vendas de bebidas na cidade de Maputo e a competitividade da indústria do turismo. Como capitalizar esta relação de modo a que ambas as indústrias possam beneficiar-se?
Precisamos avançar rumo a um maior entendimento como forma de ambas as indústrias identificarem uma oportunidade de colaboração que contribua para o desenvolvimento do Destino Maputo.
Nesse contexto, lança-se aqui a ideia de uma futura parceria na área de formação vocacional, com um particular enfoque para os Serviços de Mesa. Torna-se necessário ter em conta que os empregados de mesa, em última instância, podem ser os ‘embaixadores’ das bebidas nacionais.




quarta-feira, 18 de maio de 2011

Comentários sobre el Libro Gestión de Destinos Turísticos - Editora Trillas

El libro “Gestión de Destinos Turísticos: como atraer personas para polos, ciudades y países”, fue elaborado en con el objetivo de facilitar la  formación de especialistas en Desarrollo y Marketing de destinos turísticos.

Este libro, como cualquier obra, tiene un alineamiento ético. En este caso en particular, a favor de una sociedad y de una economía más justa y comprometida con la sostenibilidad, comprendida aquí en sus dimensiones ambiental, social/ cultural y evidentemente económica.   

Este trabajo, viene así mismo al encuentro de las políticas y mecanismos de apoyo a la descentralización del Estado y consecuentemente, a la descentralización de la gestión de los destinos turísticos. Sabemos que el turismo es un fenómeno local y por lo tanto, es en este nivel que las decisiones sobre como manejar y planear el desarrollo deben ser tomadas. Evidentemente, alineadas con una Estrategia Nacional.

Gracias a la experiencia acumulada en las últimas décadas, tenemos todas las condiciones para admitir que el turismo tiene la capacidad  de estimular la generación de empleos y la distribución de renta en lugares donde otras industrias tienen un mínimo impacto o son menos eficientes.  

El turismo ofrece oportunidades de auto-empleo, empleo formal e informal en diversos segmentos de la sociedad, pero principalmente, en la base de la pirámide, junto a personas de baja renta. De acuerdo con la OMT, en estudio publicado en 2004, hasta 60% de los empleos generados en turismo, son dirigidos al segmento de actividades operacionales.

El turismo es de hecho un empleador intensivo de recursos humanos. Los segmentos de hospedajes y de restaurantes, son de un punto de vista económico, más eficientes en materia de generación de empleos que muchas industrias de extracción, esto considerando una relación Inversión/Empleo Generado.[1]  ( ¿Cuanto invierte una mineradora y cuantos empleos genera? )

Gracias a diversos estudios, sabemos que los impactos económicos del turismo se extienden de manera directa en por lo menos 5 subsectores ( hospedaje, bares & restaurantes, transportes, artesanias y comercio) y indirectamente en otras 30 actividades asociados a esta cadena de valor. Quiere decir, estamos delante de una actividad con un amplio efecto multiplicador y como mencionado anteriormente con enorme capacidad para distribuir la renta en un país.[2]

 Sabemos que América Latina, viene presentando tasas de crecimiento económicas sostenidas con media del 4.5% al año. Sabemos todavía que nuestra región presenta una laguna enorme en materia de distribución de renta. El pueblo necesita y cada vez más exige que se materialice el crecimiento económico en oportunidades efectivas para mejorar su calidad de vida. En este sentido, el turismo sostenible, tiene todas las condiciones de servir como pieza fundamental, para alcanzar no solo el crecimiento, pero el equilibrio económico.

Es con estas preocupaciones que publicamos este trabajo, buscando ofrecer al lector información relevante que le permitan influenciar y promover el turismo como estrategia de desarrollo económico local, inclusivo y sostenible.  

Que se abran las puertas a la esperanza.

Federico Vignati
Economista Senior de SNV ( Organización Holandesa de Desarrollo)
Coordinador de Desarrollo Turístico de África del Este y Austral
Representante del Fondo STEP de la Organización Mundial del Turismo en Mozambique










[1] Ver – El impacto del turismo en la ciudad de Maputo en : WWW.federicovignati.blogspot.com
[2]  Ver http://www.snvworld.org/en/Documents/Knowledge%20Publications/Value%20Chain%20Analysis%20as%20a%20Kick%20Off%20for%20Tourism%20Destination%20Development%20in%20Maputo%20City.pdf







terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sustentabilidade para Todos

O desenvolvimento sustentável não é um tema de interesse exclusivo da indústria do turismo. O tema da sustentabilidade está hoje no centro da agenda económica mundial, dos países desenvolvidos e dos países em vias de desenvolvimento, não apenas por uma questão de responsabilidade global, que é definitivamente necessária, mas igualmente por uma questão de inovação tecnológica. Reduto onde as economias em desenvolvimento podem e têm a oportunidade de ocupar uma posição de destaque na nova economia, na economia sustentável.

Portanto, o desenvolvimento sustentável não é mais uma opção. Trata-se de uma tendência global amplamente aceite, que vem influindo sobremaneira nos modelos de negócio das empresas, do Estado e no posicionamento da sociedade civil.

Do ponto de vista corporativo, estamos diante de mudanças importantes, aonde as empresas estão a redefinir as suas missões, mantendo evidentemente um compromisso com o lucro, mas deixando também explícitos compromissos para com a sustentabilidade sócio-ambiental. Para tal,  vêm sendo integrados indicadores de desempenho que revertem na continuidade das actividades e numa interpretação mais abrangente sobre o papel das corporações e das suas responsabilidades para com a redução da pobreza e as mudanças climáticas.

Este “novo capitalismo”, tal como o chama Muhamed Yunus (Prémio Nobel da Paz), tende a ganhar cada vez mais espaço na agenda corporativa mundial e no tipo de investimentos que os países desenvolvidos e em desenvolvimento desejam atrair. 

No caso da indústria do turismo, o desenvolvimento sustentável é uma realidade irreversível, que pode ser compreendida a partir de vários ângulos: o privado, o social e o do interesse público legítimo. No caso do Estado, é fundamental que exista consciência sobre a importância do uso sustentável dos bens públicos. É preciso reconhecer que o turismo é um grande consumidor e transformador do território, da paisagem, da cultura, podendo alterá-los e utilizá-los até à sua exaustão, perdendo a sua utilidade económica original e deixando a sua população numa situação pior do que à anterior ao desenvolvimento registado no sector.

Por outro lado, e do ponto de vista da oferta, a sustentabilidade tem impacto na qualidade dos atractivos e da oferta turística. Afinal, a competitividade de uma empresa de turismo não se pode garantir apenas no bom serviço prestado dentro do empreendimento. Não pode haver um hotel ‘5 estrelas’ num local que esteja em nítido estado de degradação, seja esta de origem ambiental ou social. Existe uma interdependência inegável entre a competitividade das empresas de turismo e a sustentabilidade do destino. Em suma, é preciso evitar e de maneira consciente, que se “mate a galinha dos ovos de ouro”. 

Estas são algumas das preocupações que trazem à tona a relevância do conceito de desenvolvimento sustentável aplicado ao turismo. Podendo agregar ainda outras questões como  a integração das populações locais, a redução das emissões de carbono, a eficiência energética e reciclagem, o planeamento e zoneamento territorial, etc.. Apenas para mencionar algumas das questões envolvidas.

Mas, por favor, não vejamos estas questões como problemas. Se for assim, vamos perder o foco. Vejamos, sim, verdadeiras oportunidades para o desenvolvimento das economias emergentes, como é o caso de Moçambique. Neste segmento, o da economia sustentável, é possível que nos próximos 20 anos este País ocupe uma posição de liderança, seja na industria do turismo, ou em outras indústrias, como a energética e a agrícola, por exemplo. Mas para isto, é preciso promover sinergias entre os empresários e o Estado, bem como uma visão estratégica de desenvolvimento de País, de médio a longo prazos.

Onde queremos estar e quais os segmentos que queremos liderar nos próximos 20 anos no mercado global de economia sustentável?  Você sabe?

Trabalhando em sinergia e mobilizando o mais alto nível técnico deste país, seremos capazes de sonhar juntos e de invistir num segmento que se encontra votado a ganhar pontos no mercado mundial.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Reflexões sobre a Descentralização do Turismo e o Mercado Doméstico em Moçambique

Na medida em que a atividade turística em Moçambique vem alcançando um novo patamar de desenvolvimento, um conjunto de oportunidades de novos negócios vinculados a esta atividade econômica, vem se tornando cada vez mais evidentes.


Entretanto, para que a economia do turismo se desenvolva de maneira mais dinâmica, resulta importante que os Distritos estejam cada vez mais preparados e independentes em termos de capital humano e competências legais.

Para alcançarmos este novo patamar, seria interessante empoderar os distritos que apresentam maior “vocação” para o turismo, a partir de um projeto piloto que exercite de certa forma a descentralização da gestão dos destinos turísticos em Moçambique. O desafio seria constituir a nível local, a massa crítica/técnica necessária para que os “distritos turísticos chave” assumam maior responsabilidade pela gestão e planejamento do turismo, permitindo ao governo nacional maior liberdade para tratar temas chave como as Estatísticas, Promoção e outras políticas Nacionais.

Tendo esta idéia em mente, gostaria de destacar neste artigo, dois conceitos básicos na economia do turismo. O primeiro relacionado com a estrutura do mercado turístico e o segundo, vinculado com a estrutura produtiva do setor. Meu objetivo é apenas provocar uma reflexão sobre a importância de projetos pilotos de esta natureza.

Sobre a estrutura de mercado turístico, veja que quando se pensa em turismo, a primeira imagem que normalmente vem à tona é a de um estrangeiro que esta a visitar Moçambique.

Esta imagem, embora correta, precisa ser ampliada. O foco no turismo estrangeiro se sustenta na sua capacidade de trazer divisas para o país e com isto de oxigenar a economia, entretanto, o mercado doméstico, que esta em franca expansão em Moçambique, merece atenção pois possui características próprias que o tornam extremamente importante.

O mercado doméstico exerce um papel dinamizador em um conjunto de variáveis econômicas fundamentais, podendo destacar sua capacidade de estimular a inclusão social das camadas mais pobres e de distribuir a renda, isto por que o mercado “nacional” reconhece (e / ou deveria) aceitar melhor a cultura e o produto moçambicano.

Assim mesmo o mercado doméstico, quando estimulado contribui com o aumento da escala produtiva, pois por ser potencialmente maior pode permitir ao setor privado a redução dos custos operacionais.

A realidade é que o principal mercado turístico que detém um país é o mercado doméstico. Evidentemente esta não pode ser a realidade de países que vivem em guerra, na extrema pobreza ou de ilhas com baixa população. Embora Moçambique ainda seja um país com dificuldades, que ainda precisa resolver, também é um país que nos últimos 5 anos, apresentou importantes níveis de crescimento econômico, acumulando no período 2005-2010 mais de 30% de expansão do PIB.

Este crescimento se materializa nos milhares de pessoas que alcançaram estabilidade laboral, melhoria na renda, acesso a melhores empregos e inclusive ampliaram sua capacidade de poupança e de consumo. Um indicador disto é a explosão no número de veículos que vemos hoje circulando no país, outro é a crescente expansão e valorização imobiliária.

Estes milhares de Moçambicanos que se beneficiaram do crescimento econômico experimentado são turistas domésticos em potencial, com capacidade de contribuir de maneira impar com a distribuição da renda no país e com o desenvolvimento de uma atividade turística economicamente mais expressiva.

De acordo com o Estudo da Cadeia de Valor do Turismo realizado pela SNV em parceria com o Mitur e os membros do Grupo Consultivo do Turismo da Cidade de Maputo, 44% dos turistas que visitam Maputo, são moçambicanos. Este dado é extremamente importante, no sentido de verificar que o mercado doméstico, já exerce importante influencia no desenvolvimento de Maputo por exemplo, entre tanto é preciso conhecer este segmento mais a fundo e estimulá-lo com ações de Marketing bem direcionadas.

O turista moçambicano é um gigante que precisa entrar em cena para viabilizar maiores investimentos públicos, a entrada de novas empresas de aviação, rodoviárias, hoteleiras, assim como a expansão de milhares de novas Pequenas e Médias Empresas (PeME´s).

Tem um dado que gosto de partilhar pois ilustra bastante estas idéia. No Brasil, são 50 milhões de turistas domésticos por ano. Em contrapartida, são 5 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2008.

Na sua opinião, poderia a industria brasileira de turismo ter a mesma força se tivesse uma grande dependência do mercado internacional? Poderíamos ter no Brasil, 5 empresas aéreas competindo entre si e movimentando mais de 43 milhões de viagens aéreas internas sem um mercado domestico forte?

Feita esta reflexão, agora vejamos o segundo ponto, aquele vinculado a estrutura produtiva do turismo, para isto, apresento alguns indicadores econômicos.

De acordo com pesquisas recentes foi identificado que mais de 85% da indústria do turismo da França esta constituída por PeME´s, no Brasil o segmentos das PeME´s corresponde 85% da industria e na Espanha se atinge 90%.

Estes dados revelam uma característica essencial da estrutura produtiva do turismo. O turismo é eminentemente uma atividade constituída por PeME´s. Evidentemente a presença de estruturas básicas de logística, comunicação e segurança, são fundamentais, entretanto, atendidas estas estruturas básicas, o coração do setor é estimulado pela inovação e criatividade dos pequenos e médios empreendedores.

É com esta consciência, sobre a importância do mercado domestico e da relevância das PeME´s que os atores do setor e doadores poderiam olhar com muito carinho para um programa de descentralização da gestão dos destinos turísticos em Moçambique, tendo talvez como distritos/municípios piloto a própria cidade de Maputo, Inhambane e Ilha de Moçambique, apenas para mencionar alguns.

Não podemos esquecer que o turismo é um fenômeno local, cujos problemáticas precisam ser compreendidas e resolvidas neste âmbito. Neste sentido os Distritos de Moçambique ocupam um papel central para ordenar o território e planejar estímulos que encorajem ao todos aqueles que sonham com ser empresários a investir, e com isto, ajudar ao desenvolvimento de seu país.

Que vivam o empreendedor Moçambicano, que viva o mercado doméstico!



Federico Vignati
Assessor Sênior de Desenvolvimento Econômico da SNV
Autor do Livro: Gestão de Destinos Turísticos publicado no Brasil pela Editora SENAC.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

How does Maputo city benefit from tourism economy?


Understanding the influence of tourism in the city of Maputo was the objective of the Tourism Value Chain Analysis held recently by SNV in the Mozambican capital. The work resulted from an extensive coordination and collaboration of the Ministry of Tourism (MITUR), INATUR, City Government, Municipality, CEDARTE, ICC, and the United Nations Programme for Creative Industries.


The results of the study brought to light a set of economic information for recognizing the economic impact of tourism activity in Maputo city, mainly from their contribution in generating employment, income for the poor, and the identification of sectors that benefit directly and indirectly from the tourism economy.

When we look at tourism anywhere in the world, it is common to have some information gaps, for various reasons, and most especially reflected in the difficulty going deep in the analysis of searching tourism value chain.


In this article, we are pleased to share some specific information that will complement the vision that MITUR offers with its annual data and statistical research, hoping that now  we will allow a more accurate view of the situation that currently prevails in Maputo tourism destination.
That said, we see that Maputo is the main tourist destination in Mozambique, namely in terms of number of visitors. Some 333 000 tourists visit our city each year, and in terms of income derived from tourism valued at US$ 95 million, which entered the city's economy as a direct result of tourists spending.


It is thanks to the spending by tourists in Maputo city that 4,000 jobs are generated, mainly in the segments of Bars & Restaurants, Lodging, Crafts and Trade. Of course, at the same time, state revenues are also reinforced by the tourism economy in the form of taxes.


If we dwell to analyze the market structure of tourists visiting Maputo, we see an exceptional and very important data. It all indicates that 44% of the total tourists visiting the city are nationals. Thus, the average economic growth of 6%, the country experienced in the last five years, is showing its effective realization in the pocket of Mozambicans, who are travelling.

The study also notes that Mozambicans are visiting Maputo mainly motivated by events & businesses (87%) and visiting relatives & friends (13%). This information is exciting, as we know it is very difficult to develop a competitive and sustainable tourism industry without a strong domestic market.


Take the example of Brazil: here, 58 million domestic and 5 million international travels were recorded in 2008. What would the Brazilian tourism industry be if it depended only on the foreign market? Can you imagine? ...


Likewise, other valuable information emerges, and may point out that the segment of events & business is key activity in local tourism economy, and that the segment of leisure and culture is still immature, something which forces us to make some reflections.

Could the segment of leisure and culture generate more employment and income in the city for the poor? What are the bottle necks of cultural tourism? Do we know how to operate the receptive cultural tourism? Can we learn to do this better?


Still under the framework of analysing the tourism market, we could identify that 80% of tourists stay in the city over 3 days and 75% have visited the city more than twice.


This information is very important for the Government and entrepreneurs, and could pave the way for a new conception of development strategies and tourism marketing, and particularly the role of receptive tourism agencies, this segment still unexplored by the national private sector.

Although this are positive news within the range of issues that the city needs to deal with to uplift itself economically, I would like to emphasize one main issue: the city of Maputo needs to take the responsibility of serving as reference for the rest of the country on public management and development of tourism.


Currently it's difficult for Mozambique to stimulate tourism development in the speed and quality it desires if it does not have a concrete national reference, a place that has enough examples to illustrate by its own experience where and how to develop tourism activity.


Mozambique needs to mirror itself on a reference, a catalyst destination of tourism activity,  that serves the rest of the country as a laboratory of experiences where Mozambican tourism technology can be conceived, implemented and soon spread throughout the country by standing technical bodies.  This would be just like the role played by the State of Bahia in Brazil, Barcelona in Spain and Dubai in Arab Emirates, then Maputo city has the opportunity and perhaps the responsibility ( because of its economic importance) to assume this role.

Federico Vignati
Senior Economic Development Advisor ( SNV)
Author of the book: Tourism Destination Management







quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Qual o impacto do turismo na cidade de Maputo?

Conhecer a influência do turismo na cidade de Maputo foi o objectivo do Estudo da Cadeia de Valor, realizado recentemente na cidade. O trabalho resultou de uma iniciativa da SNV e de uma ampla coordenação e colaboração do Ministério do Turismo (Mitur), Governo da Cidade, Município, AHSM,CEDARTE, ICC, e do Programa de Indústrias Criativas das Nações Unidas.

Os resultados do Estudo da Cadeia de Valor trouxeram à tona um conjunto de informações de natureza económica que permitem reconhecer o impacto do turismo na actividade económica da cidade, neste caso da capital do país, principalmente quanto à sua contribuição na geração de empregos, de rendimento e de identificação de sectores que se beneficiam directa e indirectamente da atividade turística.

Quando analisamos a atividade turística em qualquer parte do mundo, é comum termos algumas lacunas de informação, por diversas razões, e principalmente a maior traduz-se na dificuldade de pesquisar a cadeia de valor do turismo.

Neste artigo, tenho a satisfação de poder partilhar algumas informações concretas, que vêm completar a visão que o MITUR oferece com os seus dados e pesquisas estatísticas e que juntos espero que lhe permitam uma perspectiva mais apurada da situação que impera hoje no destino turístico da cidade de Maputo.

Dito isto, vejamos que Maputo é o principal destino turístico de Moçambique, isto em termos de número de visitantes. São 333.000 turistas que estão a visitar nossa cidade anualmente, e em termos de ingressos derivados do turismo conta-se o valor de 95 milhões de dólares, que entrararam na economia da cidade, como resultado directo dos gastos dos turistas.

É graças aos gastos realizados pelos turistas que, na cidade de Maputo, são gerados 4.000 postos de trabalho, principalmente nos segmentos de Bares & Restaurantes, Hospedagem, Artesanato e Comércio. Evidentemente, que ao mesmo tempo as receitas do Estado são igualmente reforçadas pela economia do turismo, sob a forma de impostos.

Se nos determos a analisar a estrutura do mercado de turistas que visita Maputo, verificamos um dado excepcional e de suma importância. Tudo indica que 44% do total de turistas que visita a cidade é nacional. Nesse sentido, o crescimento económico médio de 6%, experimentado pelo país nos últimos 5 anos, está a demonstrar a sua materialização efectiva no bolso dos moçambicanos, que se encontram a viajar.
O Estudo verifica ainda que os moçambicanos estão a visitar Maputo principalmente motivados por eventos & negócios (87%) e pela visita a familiares & amigos (13%). Esta informação é entusiasmante, na medida em que já sabemos que é muito difícil desenvolver um sector turístico competitivo e sustentável sem um mercado doméstico forte.

Vejamos o exemplo do Brasil, aqui se regista em 2008, 58 milhões de viagens domésticas, e 5 milhões de viagens internacionais. O que seria da indústria brasileira do turismo se dependesse apenas do mercado estrangeiro? Já imaginou?...

Assim mesmo, outras valiosas informações vêm à tona, podendo destacar que o segmento de eventos & negócios é o mais importante no momento, e que o segmento de lazer e cultura ainda é incipiente, o que nos obriga a realizar algumas reflexões a propósito.

Poderia o segmento de lazer e cultura ampliar a geração de trabalho e rendimentos na cidade? O que impede que o turismo cultural se desenvolva? Sabemos operar o turismo receptivo cultural? Podemos aprender a fazer isto melhor?

Ainda no âmbito da análise do mercado turístico, foi possível identificar que 80% dos turistas permanece na cidade mais de 3 dias e que 75% já visitaram a cidade mais de duas vezes.

Estas informações são muito importantes para o Governo e empresários, e poderiam abrir espaço para uma nova concepção das estratégias de desenvolvimento e marketing turístico, e particularmente sobre o papel fundamental das agências de turismo receptivo, segmento este ainda pouco explorado pelo sector privado nacional.

Embora todas estas sejam noticias eminentemente positivas, dentro do conjunto de temas que a cidade precisa tratar para se alavancar economicamente, gostaria apenas de ressaltar uma única questão. A cidade de Maputo precisa assumir a responsabilidade de servir como referência para o resto do país em matéria de gestão publica e desenvolvimento do turismo.

Resulta difícil para Moçambique estimular o seu desenvolvimento turístico na velocidade e qualidade desejada, se não se tem uma verdadeira referencia nacional, um destino modelo, um lugar que conta com exemplos suficientes para ilustrar aonde e como se pretende desenvolver a actividade turística no resto do país.

Moçambique precisa se espelhar numa referência, um destino catalisador do desenvolvimento turístico, um verdadeiro laboratório de experiências aonde a tecnologia moçambicana de turismo possa ser concebida pelos corpos técnicos permanentes, implementada e disseminada para o resto do país. Uma espécie de incubadora de programas e projetos de apoio ao desenvolvimento local. Assim como o papel ocupado pelo Estado da Bahia no Brasil, Barcelona em Espanha e Dubai nos Emirados Arabes, etc.

Esta, evidentemente não precisa e nem deve ser a única estratégia, entretanto faço aqui esta reflexão no sentido de alertar que o desenvolvimento do turismo não é tarefa fácil, os recursos são por natureza escassos diante das necessidades de intervenção, por tudo isto, é preciso apostar na sinergia de esforços ( conhecimentos + investimentos) para poder executar projetos que demonstrem pela vía da experiência própria, um caminho competitivo e sustentável para o turismo em Moçambique.


(*)  Federico Vignati

Assessor Sênior de Turismo da SNV
Autor do Livro: Gestão de Destinos Turísticos