quinta-feira, 8 de abril de 2010

Reflexões sobre a Descentralização do Turismo e o Mercado Doméstico em Moçambique

Na medida em que a atividade turística em Moçambique vem alcançando um novo patamar de desenvolvimento, um conjunto de oportunidades de novos negócios vinculados a esta atividade econômica, vem se tornando cada vez mais evidentes.


Entretanto, para que a economia do turismo se desenvolva de maneira mais dinâmica, resulta importante que os Distritos estejam cada vez mais preparados e independentes em termos de capital humano e competências legais.

Para alcançarmos este novo patamar, seria interessante empoderar os distritos que apresentam maior “vocação” para o turismo, a partir de um projeto piloto que exercite de certa forma a descentralização da gestão dos destinos turísticos em Moçambique. O desafio seria constituir a nível local, a massa crítica/técnica necessária para que os “distritos turísticos chave” assumam maior responsabilidade pela gestão e planejamento do turismo, permitindo ao governo nacional maior liberdade para tratar temas chave como as Estatísticas, Promoção e outras políticas Nacionais.

Tendo esta idéia em mente, gostaria de destacar neste artigo, dois conceitos básicos na economia do turismo. O primeiro relacionado com a estrutura do mercado turístico e o segundo, vinculado com a estrutura produtiva do setor. Meu objetivo é apenas provocar uma reflexão sobre a importância de projetos pilotos de esta natureza.

Sobre a estrutura de mercado turístico, veja que quando se pensa em turismo, a primeira imagem que normalmente vem à tona é a de um estrangeiro que esta a visitar Moçambique.

Esta imagem, embora correta, precisa ser ampliada. O foco no turismo estrangeiro se sustenta na sua capacidade de trazer divisas para o país e com isto de oxigenar a economia, entretanto, o mercado doméstico, que esta em franca expansão em Moçambique, merece atenção pois possui características próprias que o tornam extremamente importante.

O mercado doméstico exerce um papel dinamizador em um conjunto de variáveis econômicas fundamentais, podendo destacar sua capacidade de estimular a inclusão social das camadas mais pobres e de distribuir a renda, isto por que o mercado “nacional” reconhece (e / ou deveria) aceitar melhor a cultura e o produto moçambicano.

Assim mesmo o mercado doméstico, quando estimulado contribui com o aumento da escala produtiva, pois por ser potencialmente maior pode permitir ao setor privado a redução dos custos operacionais.

A realidade é que o principal mercado turístico que detém um país é o mercado doméstico. Evidentemente esta não pode ser a realidade de países que vivem em guerra, na extrema pobreza ou de ilhas com baixa população. Embora Moçambique ainda seja um país com dificuldades, que ainda precisa resolver, também é um país que nos últimos 5 anos, apresentou importantes níveis de crescimento econômico, acumulando no período 2005-2010 mais de 30% de expansão do PIB.

Este crescimento se materializa nos milhares de pessoas que alcançaram estabilidade laboral, melhoria na renda, acesso a melhores empregos e inclusive ampliaram sua capacidade de poupança e de consumo. Um indicador disto é a explosão no número de veículos que vemos hoje circulando no país, outro é a crescente expansão e valorização imobiliária.

Estes milhares de Moçambicanos que se beneficiaram do crescimento econômico experimentado são turistas domésticos em potencial, com capacidade de contribuir de maneira impar com a distribuição da renda no país e com o desenvolvimento de uma atividade turística economicamente mais expressiva.

De acordo com o Estudo da Cadeia de Valor do Turismo realizado pela SNV em parceria com o Mitur e os membros do Grupo Consultivo do Turismo da Cidade de Maputo, 44% dos turistas que visitam Maputo, são moçambicanos. Este dado é extremamente importante, no sentido de verificar que o mercado doméstico, já exerce importante influencia no desenvolvimento de Maputo por exemplo, entre tanto é preciso conhecer este segmento mais a fundo e estimulá-lo com ações de Marketing bem direcionadas.

O turista moçambicano é um gigante que precisa entrar em cena para viabilizar maiores investimentos públicos, a entrada de novas empresas de aviação, rodoviárias, hoteleiras, assim como a expansão de milhares de novas Pequenas e Médias Empresas (PeME´s).

Tem um dado que gosto de partilhar pois ilustra bastante estas idéia. No Brasil, são 50 milhões de turistas domésticos por ano. Em contrapartida, são 5 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2008.

Na sua opinião, poderia a industria brasileira de turismo ter a mesma força se tivesse uma grande dependência do mercado internacional? Poderíamos ter no Brasil, 5 empresas aéreas competindo entre si e movimentando mais de 43 milhões de viagens aéreas internas sem um mercado domestico forte?

Feita esta reflexão, agora vejamos o segundo ponto, aquele vinculado a estrutura produtiva do turismo, para isto, apresento alguns indicadores econômicos.

De acordo com pesquisas recentes foi identificado que mais de 85% da indústria do turismo da França esta constituída por PeME´s, no Brasil o segmentos das PeME´s corresponde 85% da industria e na Espanha se atinge 90%.

Estes dados revelam uma característica essencial da estrutura produtiva do turismo. O turismo é eminentemente uma atividade constituída por PeME´s. Evidentemente a presença de estruturas básicas de logística, comunicação e segurança, são fundamentais, entretanto, atendidas estas estruturas básicas, o coração do setor é estimulado pela inovação e criatividade dos pequenos e médios empreendedores.

É com esta consciência, sobre a importância do mercado domestico e da relevância das PeME´s que os atores do setor e doadores poderiam olhar com muito carinho para um programa de descentralização da gestão dos destinos turísticos em Moçambique, tendo talvez como distritos/municípios piloto a própria cidade de Maputo, Inhambane e Ilha de Moçambique, apenas para mencionar alguns.

Não podemos esquecer que o turismo é um fenômeno local, cujos problemáticas precisam ser compreendidas e resolvidas neste âmbito. Neste sentido os Distritos de Moçambique ocupam um papel central para ordenar o território e planejar estímulos que encorajem ao todos aqueles que sonham com ser empresários a investir, e com isto, ajudar ao desenvolvimento de seu país.

Que vivam o empreendedor Moçambicano, que viva o mercado doméstico!



Federico Vignati
Assessor Sênior de Desenvolvimento Econômico da SNV
Autor do Livro: Gestão de Destinos Turísticos publicado no Brasil pela Editora SENAC.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

How does Maputo city benefit from tourism economy?


Understanding the influence of tourism in the city of Maputo was the objective of the Tourism Value Chain Analysis held recently by SNV in the Mozambican capital. The work resulted from an extensive coordination and collaboration of the Ministry of Tourism (MITUR), INATUR, City Government, Municipality, CEDARTE, ICC, and the United Nations Programme for Creative Industries.


The results of the study brought to light a set of economic information for recognizing the economic impact of tourism activity in Maputo city, mainly from their contribution in generating employment, income for the poor, and the identification of sectors that benefit directly and indirectly from the tourism economy.

When we look at tourism anywhere in the world, it is common to have some information gaps, for various reasons, and most especially reflected in the difficulty going deep in the analysis of searching tourism value chain.


In this article, we are pleased to share some specific information that will complement the vision that MITUR offers with its annual data and statistical research, hoping that now  we will allow a more accurate view of the situation that currently prevails in Maputo tourism destination.
That said, we see that Maputo is the main tourist destination in Mozambique, namely in terms of number of visitors. Some 333 000 tourists visit our city each year, and in terms of income derived from tourism valued at US$ 95 million, which entered the city's economy as a direct result of tourists spending.


It is thanks to the spending by tourists in Maputo city that 4,000 jobs are generated, mainly in the segments of Bars & Restaurants, Lodging, Crafts and Trade. Of course, at the same time, state revenues are also reinforced by the tourism economy in the form of taxes.


If we dwell to analyze the market structure of tourists visiting Maputo, we see an exceptional and very important data. It all indicates that 44% of the total tourists visiting the city are nationals. Thus, the average economic growth of 6%, the country experienced in the last five years, is showing its effective realization in the pocket of Mozambicans, who are travelling.

The study also notes that Mozambicans are visiting Maputo mainly motivated by events & businesses (87%) and visiting relatives & friends (13%). This information is exciting, as we know it is very difficult to develop a competitive and sustainable tourism industry without a strong domestic market.


Take the example of Brazil: here, 58 million domestic and 5 million international travels were recorded in 2008. What would the Brazilian tourism industry be if it depended only on the foreign market? Can you imagine? ...


Likewise, other valuable information emerges, and may point out that the segment of events & business is key activity in local tourism economy, and that the segment of leisure and culture is still immature, something which forces us to make some reflections.

Could the segment of leisure and culture generate more employment and income in the city for the poor? What are the bottle necks of cultural tourism? Do we know how to operate the receptive cultural tourism? Can we learn to do this better?


Still under the framework of analysing the tourism market, we could identify that 80% of tourists stay in the city over 3 days and 75% have visited the city more than twice.


This information is very important for the Government and entrepreneurs, and could pave the way for a new conception of development strategies and tourism marketing, and particularly the role of receptive tourism agencies, this segment still unexplored by the national private sector.

Although this are positive news within the range of issues that the city needs to deal with to uplift itself economically, I would like to emphasize one main issue: the city of Maputo needs to take the responsibility of serving as reference for the rest of the country on public management and development of tourism.


Currently it's difficult for Mozambique to stimulate tourism development in the speed and quality it desires if it does not have a concrete national reference, a place that has enough examples to illustrate by its own experience where and how to develop tourism activity.


Mozambique needs to mirror itself on a reference, a catalyst destination of tourism activity,  that serves the rest of the country as a laboratory of experiences where Mozambican tourism technology can be conceived, implemented and soon spread throughout the country by standing technical bodies.  This would be just like the role played by the State of Bahia in Brazil, Barcelona in Spain and Dubai in Arab Emirates, then Maputo city has the opportunity and perhaps the responsibility ( because of its economic importance) to assume this role.

Federico Vignati
Senior Economic Development Advisor ( SNV)
Author of the book: Tourism Destination Management







quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Qual o impacto do turismo na cidade de Maputo?

Conhecer a influência do turismo na cidade de Maputo foi o objectivo do Estudo da Cadeia de Valor, realizado recentemente na cidade. O trabalho resultou de uma iniciativa da SNV e de uma ampla coordenação e colaboração do Ministério do Turismo (Mitur), Governo da Cidade, Município, AHSM,CEDARTE, ICC, e do Programa de Indústrias Criativas das Nações Unidas.

Os resultados do Estudo da Cadeia de Valor trouxeram à tona um conjunto de informações de natureza económica que permitem reconhecer o impacto do turismo na actividade económica da cidade, neste caso da capital do país, principalmente quanto à sua contribuição na geração de empregos, de rendimento e de identificação de sectores que se beneficiam directa e indirectamente da atividade turística.

Quando analisamos a atividade turística em qualquer parte do mundo, é comum termos algumas lacunas de informação, por diversas razões, e principalmente a maior traduz-se na dificuldade de pesquisar a cadeia de valor do turismo.

Neste artigo, tenho a satisfação de poder partilhar algumas informações concretas, que vêm completar a visão que o MITUR oferece com os seus dados e pesquisas estatísticas e que juntos espero que lhe permitam uma perspectiva mais apurada da situação que impera hoje no destino turístico da cidade de Maputo.

Dito isto, vejamos que Maputo é o principal destino turístico de Moçambique, isto em termos de número de visitantes. São 333.000 turistas que estão a visitar nossa cidade anualmente, e em termos de ingressos derivados do turismo conta-se o valor de 95 milhões de dólares, que entrararam na economia da cidade, como resultado directo dos gastos dos turistas.

É graças aos gastos realizados pelos turistas que, na cidade de Maputo, são gerados 4.000 postos de trabalho, principalmente nos segmentos de Bares & Restaurantes, Hospedagem, Artesanato e Comércio. Evidentemente, que ao mesmo tempo as receitas do Estado são igualmente reforçadas pela economia do turismo, sob a forma de impostos.

Se nos determos a analisar a estrutura do mercado de turistas que visita Maputo, verificamos um dado excepcional e de suma importância. Tudo indica que 44% do total de turistas que visita a cidade é nacional. Nesse sentido, o crescimento económico médio de 6%, experimentado pelo país nos últimos 5 anos, está a demonstrar a sua materialização efectiva no bolso dos moçambicanos, que se encontram a viajar.
O Estudo verifica ainda que os moçambicanos estão a visitar Maputo principalmente motivados por eventos & negócios (87%) e pela visita a familiares & amigos (13%). Esta informação é entusiasmante, na medida em que já sabemos que é muito difícil desenvolver um sector turístico competitivo e sustentável sem um mercado doméstico forte.

Vejamos o exemplo do Brasil, aqui se regista em 2008, 58 milhões de viagens domésticas, e 5 milhões de viagens internacionais. O que seria da indústria brasileira do turismo se dependesse apenas do mercado estrangeiro? Já imaginou?...

Assim mesmo, outras valiosas informações vêm à tona, podendo destacar que o segmento de eventos & negócios é o mais importante no momento, e que o segmento de lazer e cultura ainda é incipiente, o que nos obriga a realizar algumas reflexões a propósito.

Poderia o segmento de lazer e cultura ampliar a geração de trabalho e rendimentos na cidade? O que impede que o turismo cultural se desenvolva? Sabemos operar o turismo receptivo cultural? Podemos aprender a fazer isto melhor?

Ainda no âmbito da análise do mercado turístico, foi possível identificar que 80% dos turistas permanece na cidade mais de 3 dias e que 75% já visitaram a cidade mais de duas vezes.

Estas informações são muito importantes para o Governo e empresários, e poderiam abrir espaço para uma nova concepção das estratégias de desenvolvimento e marketing turístico, e particularmente sobre o papel fundamental das agências de turismo receptivo, segmento este ainda pouco explorado pelo sector privado nacional.

Embora todas estas sejam noticias eminentemente positivas, dentro do conjunto de temas que a cidade precisa tratar para se alavancar economicamente, gostaria apenas de ressaltar uma única questão. A cidade de Maputo precisa assumir a responsabilidade de servir como referência para o resto do país em matéria de gestão publica e desenvolvimento do turismo.

Resulta difícil para Moçambique estimular o seu desenvolvimento turístico na velocidade e qualidade desejada, se não se tem uma verdadeira referencia nacional, um destino modelo, um lugar que conta com exemplos suficientes para ilustrar aonde e como se pretende desenvolver a actividade turística no resto do país.

Moçambique precisa se espelhar numa referência, um destino catalisador do desenvolvimento turístico, um verdadeiro laboratório de experiências aonde a tecnologia moçambicana de turismo possa ser concebida pelos corpos técnicos permanentes, implementada e disseminada para o resto do país. Uma espécie de incubadora de programas e projetos de apoio ao desenvolvimento local. Assim como o papel ocupado pelo Estado da Bahia no Brasil, Barcelona em Espanha e Dubai nos Emirados Arabes, etc.

Esta, evidentemente não precisa e nem deve ser a única estratégia, entretanto faço aqui esta reflexão no sentido de alertar que o desenvolvimento do turismo não é tarefa fácil, os recursos são por natureza escassos diante das necessidades de intervenção, por tudo isto, é preciso apostar na sinergia de esforços ( conhecimentos + investimentos) para poder executar projetos que demonstrem pela vía da experiência própria, um caminho competitivo e sustentável para o turismo em Moçambique.


(*)  Federico Vignati

Assessor Sênior de Turismo da SNV
Autor do Livro: Gestão de Destinos Turísticos

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Maputo na contramão da crise no setor de turismo.

Enquanto a economia mundial de turismo contraiu no primeiro semestre de 2009, África expandiu 3%. As principais capitais do continente africano, entre elas Maputo, vêm apresentando um desempenho superior em termos de taxa de ocupação do sector hoteleiro, de número de eventos e actividades comerciais ligadas ao sector turístico.

Como é possível que, enquanto o turismo mundial encolhe, em África estejamos a caminhar a um ritmo mais acelerado? Como é possível que, enquanto no resto do mundo os investimentos directos em infra-estruturas de turismo estejam a ser reduzidos, nesta região do Sudeste Africano os investimentos continuem a aumentar, e de maneira significativa? Como justificar que enquanto os eventos a nível mundial tem diminuído significativamente (-15%), quando comparados com dados de 2007, aqui no país o número de eventos esteja a aumentar e novos centros de convenções e eventos se encontrem em construção ou em fase de reforma? Que segmento de turismo é este que se apresenta menos sensível à economia mundial e que vem beneficiando sobremaneira Moçambique e a cidade de Maputo, em particular?

O fenómeno que vem sustentando a economia turística de Maputo, assim como de outras capitais da região, está intimamente relacionado com o desenvolvimento de pequenos, médios e grandes eventos.

Na categoria de pequenos e médios encontram-se todos aqueles que acontecem em parte subsidiados, ou estimulados, pela cooperação internacional. Diariamente, vemos faixas promocionais (banners), algumas muito bem elaboradas outras mais simples, mas o que é facto é que as vemos todas as semanas estendidas pelas ruas de maior circulação da cidade, anunciando importantes eventos de interesse nacional.

Estes eventos congregam pessoas de diversas nacionalidades, que, por sua vez, viajam muitas vezes para Maputo apenas para este fim. De igual modo, líderes locais, gestores públicos, técnicos e demais membros do Governo, também são congregados por estes eventos e atraídos à cidade de Maputo.

O que resulta directamente desta mobilização contínua e estruturada de pessoas é um segmento hoteleiro com taxas de ocupação razoáveis, acima dos 60%, um segmento de bares e restaurantes em franca expansão, com novos negócios aflorando, outros reformando e uma, cada vez mais, evidente diversidade de alternativas em termos de gastronomia e lazer.

De acordo com resultados preliminares do estudo da Cadeia de Valor do Turismo, realizado pela SNV (Netherlands Development Organisation) em Parceria com a Direcção de Turismo da Cidade, o turismo projeta-se hoje como uma das mais importantes actividades indutoras de desenvolvimento social e económico da cidade.

A mobilização estruturada de pessoas que resulta do turismo em geral e dos eventos em particular, activa pelo menos 52 atividades económicas que injectam na economia de Maputo algo próximo dos 75 milhões de dólares americanos por ano.

Assim mesmo, a produção artesanal e a venda de souvenires (camisetas, capulanas, etc.) é amplamente estimulada, gerando trabalho e rendimento no sector formal e informal, beneficiando jovens, mulheres e chefes de família, tal como vem sendo identificado pela própria SNV e pela UNESCO, OIT e CEDARTE.

Somente no “ponto turístico” do Mercado do Peixe, foram identificados mais de 250 vendedores de diversos produtos, todos estes comerciantes informais dependentes directamente do turismo para a sua sobrevivência e das suas famílias.

Com isto em mente, podemos admitir que o turismo de eventos é um pilar fundamental da economia da cidade e que é preciso estimulá-lo de modo a que Maputo se consolide neste segmento, atraindo não apenas eventos institucionais mas também eventos corporativos e desportivos, na linha da FACIM e dos Jogos Pan-Africanos.

Por outro lado, é preciso admitir que o turismo de eventos, tal como o conhecemos hoje, não vai durar para sempre. Portanto, será importante discutir como o segmento de eventos institucionais pode alavancar outras ofertas, justificar investimentos de infra-estruturas em zonas da cidade prioritárias e melhorar a adesão dos micro e pequenos comerciantes (formais e informais) nesta cadeia.

Maputo é, hoje, uma cidade cada vez mais limpa, segura, com um forte património histórico e cultural - elementos que precisam de ser trabalhados como parte de uma oferta complementar à oferta dos eventos.

O turista (doméstico ou internacional) quando vem a um evento, tem de ser seduzido a querer ficar mais um dia, a fazer um passeio pela zona histórica, a conhecer um evento cultural e os principais museus e, se possível, inclusivamente, vir a Maputo com a sua mulher e os seus filhos, possibilitando uma experiência de cultura e lazer familiar.

O que é preciso fazer, de momento, é, em primeiro lugar, admitir que Maputo vive de Eventos, o que é bom. Esta é a realidade de São Paulo, por exemplo. Somente os eventos internacionais desta cidade brasileira injectaram, em 2007, 8,5 milhões de dólares na economia local. Por este motivo, São Paulo já compreende o segmento de eventos como uma prioridade e para tal conta com o São Paulo Convention & Visitors Bureau. (www.visitesaopaulo.com)

Em segundo lugar, é preciso que o sector privado procure maneiras de estimular a diversificação da oferta. O sector hoteleiro e as agências de viagens devem-se aproximar e explorar melhor a venda de serviços complementares ao hóspede.

É importante que agências e hoteleiros explorem, mais e melhor, os atractivos históricos da cidade, a orla da “Costa do Sol”, os parques e jardins do Polana, os museus e eventos culturais na “Cidade Antiga–Baixa”, entre outras potencialidades.

Nesse sentido, resulta importante que o Governo da Cidade aproveite este momento excepcional para inovar, estimular o empreendedorismo, e com parcerias público-privadas, continuar com a requalificação do espaço público, embelezando praças e os pontos turísticos. Vejamos o exemplo dos Jardins dos Professores, Jardins dos Namorados na Polana e dos planos para requalificação do Mercado do Peixe e da Praça da Mulher Moçambicana.

A meta deve ser levar a que aqueles que visitam a nossa cidade a gastar aqui todo o seu “per diem/diárias”, e que ainda voltem a casa dizendo à sua família: «Da próxima vez que eu viajar a Maputo, vocês vêm comigo e vamos aproveitar o que de melhor existe e se faz lá».

(*) Assessor Sénior de Desenvolvimento Econômico (Turismo) da SNV

Autor do Livro “Gestão de Destinos Turísticos”, distribuído pela Escolar Editores.

Reflexões sobre o jeito moçambicano de ser e receber

Com lançamento da campanha “Boas Vindas” no dia 10 de Dezembro pelo MITUR, abre-se espaço para um conjunto de reflexões sobre um tema que vem ganhando mais importância na agenda do desenvolvimento turístico nacional. Evidentemente o próprio programa “Boas Vindas” é um sinal disto, refiro-me aqui ao tema da HOSPITALIDADE.

Para começar permita-me que lhe conte como ganhei consciência sobre esta realidade.

Em Setembro deste ano, 2008, tive a oportunidade de colaborar num estudo realizado pela SNV em parceria com o Parque Nacional da Gorongosa. Após 23 dias de trabalho e convivência com as comunidades da região da Serra da Gorongosa, percebi-me pensando o seguinte:

“ Existe um grande caminho por percorrer para desenvolver o turismo nesta região, porém a hospitalidade, gentileza e simpatia deste povo, valem mais do que 10 anos de doações internacionais de apoio ao desenvolvimento”

Foi a partir de minha própria experiência em Gorongosa, e na medida em que tive a oportunidade de conhecer pessoas de diversas Províncias do País, que percebi a força deste valioso capital social e humano de Moçambique.

Por se tratar de uma primeira reflexão que espero que leve a debate o assunto HOSPITALIDADE, acredito que seja importante fazer uma aproximação conceitual ao tema, neste sentido: A final, o que é hospitalidade?

Apenas, com o intuito de localizarmo-nos e sem querer ser exaustivo nem reducionista, podemos entender a hospitalidade de pelo menos dois pontos de vista.

O primeiro, como uma ocupação profissional, uma competência transversal que se espera de todos os profissionais que trabalham na prestação de serviços, principalmente aqueles que atuam nas empresas de turismo.

Por outro lado, podemos entender a hospitalidade como um conjunto de conhecimentos, valores, crenças, atitudes e habilidades que levam um povo a ter um jeito particular de ser, receber e se relacionar com entre se e com os visitantes (turistas), sendo portanto um elemento integrado a cultura nacional.

Neste caso em particular e por se tratar de um tema mais envolvente, prefiro iniciar qualquer reflexão sobre a hospitalidade, a partir do segundo ponto de vista, quer dizer a hospitalidade vista como uma cultura ou “jeito próprio de ser e receber”.

Desde a minha chegada a este país a convite da SNV (Organização Holandesa de Desenvolvimento), pude perceber que o povo Moçambicano embora seja resultado da fusão de um conjunto de povos de diversas etnias, (assim como o Brasil) apresenta-se hoje como um país unificado com uma identidade cultural forte e que compartilha características que permitem



perceber neste povo um jeito único de ser e de receber os visitantes. Isto é o que poderia dar a base para uma reflexão mais ampla sobre isto que se pode denominar de “ Jeito Moçambicano de Ser e Receber”.

Mas, será que existe uma cultura moçambicana de hospitalidade? Existem de fato características próprias a este povo que o diferenciam dos outros povos da região e do mundo? Poderia a hospitalidade do moçambicano, contribuir para o desenvolvimento social, turístico e econômico do país?

Se isto for possível, outros questionamentos surgem: Como fazer isto de forma ética e inclusiva? Como valorizar o jeito moçambicano de ser e receber sem perder a autenticidade ou entrar no mérito da mercantilização da cultura?

Estas são algumas reflexões ou questionamentos iniciais que proponho e acredito encontrarão espaço no contexto das políticas setoriais de educação, desenvolvimento econômico e turismo, assim como no âmbito da pesquisa em Ciências Sociais aqui em Moçambique.

Estes e outros questionamentos poderiam servir de referência para iniciar diálogos, no sentido de reconhecer e dar valor a este ativo “intangível”, a esta, digamos, “segunda pele do moçambicano”.

Para nós que estamos envolvidos com a economia do turismo, não podemos esquecer que é a população local o grande protagonista do turismo e de certa forma responsável pela satisfação dos turistas que visitam um país. Seriam também as pessoas a grande “cola” que dá sentido ao turismo como fenômeno e atividade que se sustenta no intercâmbio de saberes e culturas. Portanto um povo hospitaleiro é uma importante riqueza e um grande capital de um País que aposta no turismo para a diversificação da sua base econômica.

É importante lembrarmos também que a hospitalidade representa em si, um patrimônio popular que não depende da cooperação internacional, nem de grandes investimentos tecnológicos para se desenvolver. A hospitalidade está ali e de maneira evidente no olhar sincero, sorriso e na simpatia do moçambicano, mas também se manifesta de maneira mais profunda e a partir de formas mais elaboradas nas danças tradicionais, nos ritmos, na gastronomia e na produção artística (que é vasta).

Neste momento e como primeira provocação, apenas queria evidenciar a importância de se adquirir consciência sobre esta segunda pele do moçambicano a hospitalidade, no sentido de buscar formas consistentes para sua efetiva valorização e assim poder imprimir definitivamente uma contribuição na marca de Moçambique como destino turístico.

Finalmente, podemos associar ainda a hospitalidade a um elemento da cultura popular que pode vir a colaborar com a consolidação de um clima social positivo, que promove o orgulho de ser moçambicano e que contribui com a auto-estima da população, lembrando que é esta afinal, e na minha opinião, o verdadeiro motor do desenvolvimento sustentável de um País.

Federico Vignati
Assessor Sênior de Desenvolvimento Econômico (Turismo) da SNV.
Autor do Livro: Gestão de Destinos Turísticos
fvignati@snvworld.org

Reflections on the Mozambican way of being and welcoming

With the launch by the Ministry of Tourism of the third edition of the “Boas Vindas Program” campaign launched on December 10th 2008, an incentive was added in the opening up of space for reflections on a subject that has been gaining greater importance in Mozambique in the development of tourism. Evidently the very same programme “Boas Vindas” bears testimony to that fact. I refer here to hospitality.
To begin with let me relate a story about how I became aware of this reality.
In September 2008 I was privileged to be involved in a study conducted by SNV in partnership with the Gorongosa National Park. After 23 days of work and interaction with local communities in the Gorongosa Mountains I found myself thinking:
“there is still a long way in the development of tourism in this region. However, the hospitality, the kindness and sympathy of these people are worth more than 10 years of international development aid”.
It was from my first own experience in Gorongosa, since I was able to meet and interact with people from different provinces, that I came to appreciate the value of this social and human capital for Mozambique.
Being the first reflections on the subject of hospitality, I believe it is important to offer some conceptual framework to the issue. In that sense, one could begin by asking the question: What, after all, is hospitality?
Simply with the view to locating ourselves and without attempting to be neither exhaustive or being driven by reductionism, it is possible to understand hospitality at least from two points of view.
First, as a professional occupation, an across the board competence expected of all professionals who work in the services provision industry, particularly those who work in the tourism industry.
On the other hand, we can try to understand hospitality as a body of knowledge, values, beliefs, attitudes and abilities which characterise people’s way of being, the way they welcome visitors (tourists) and relate to one another, being, therefore, an integral element of the national culture.
In this particular case and because it is a theme that is more involving, I would prefer to begin any reflection about hospitality starting from the second point of view, that is hospitality as seen as a culture or a “peculiar way of welcoming”.


Since my arrival in this country at the invitation of SNV (Netherlands Development Organization), I have been able to understand that Mozambique, although being the result of an amalgamation of different people, with a diversity of ethnic groups (just as in Brazil), projects itself today as a unified country with a strong cultural identity and which shares certain features which make it possible to understand in these people a unique way of being and of welcoming visitors. This is what could offer a basis for a more comprehensive reflection about what we might call “the Mozambican way of being and welcoming”.
But can we affirm that there is a Mozambican culture of hospitality? In fact, are there any intrinsic characteristics of this way of being that differentiate them from other people in the region and in the world? Could the Mozambican hospitality contribute to the country’s social, economic and tourist development?
If this is possible, other questions arise: how to achieve that it in an ethical and inclusive manner? How to value the Mozambican way of being and welcoming without losing the authenticity or venturing into the merits of cultural mercantilism?
These are some of the initial reflections or questioning that I propose and believe will find space within the context of policies in education, economic development and tourism, as well as in Social Sciences research here in Mozambique.
These and other questions could serve as references in initiating a dialogue aimed at recognising and value this “intangible” asset this that we could recognized as a “ second skin of mozambicans” .
We who are involved with tourism economy cannot ignore the fact that it is the local population the main protagonist in tourism, and in a way responsible for making tourists feel welcome. It would also be the people the big “glue” that gives sense to tourism as a phenomenon and an activity that sustains itself in the bases of knowledge and cultural exchanges. Thus, people’s hospitality is an important asset for a country that sees in tourism a valuable instrument for the diversification of its economic base.
It is also important to remember that hospitality itself represents a popular asset that does not depend on international cooperation or large-scale technological investments in order to develop. Hospitality is there and so evidently in the honest look, smile and kindness of the Mozambican people. It also manifests itself more profoundly and in more elaborate forms in the traditional dances, the rhythms, the food and the vast artistic production.
As a first provocation for now I only wanted to raise our consciences about the importance of this second Mozambican skin, hospitality, in order to find consistent and effective ways to value it in order to let this important asset make a strong print in Mozambique’s experience and brand as a tourism destination.
Finally, we can still associate hospitality with an element of popular culture, which can contribute to the consolidation of a positive social environment, which promotes Mozambican pride and self-esteem, what most people considered and I definitely agree will be the true engine for the sustainable development of any country.

Federico Vignati
PhD in Applied Economics (Tourism)
SNV-Mozambique Senior Economic Development Consultant (Tourism)
Author of the book “Gestão de Destinos Turísticos” (Management of Tourism Destinations.

Pode o turismo alavancar a economia da cidade de Maputo?

Nos últimos anos, a cidade de Maputo tem mostrado uma forte capacidade para se posicionar no sector do Turismo de maneira competitiva. Isto manifesta-se de maneira evidente pelo facto de Maputo ser responsável por 40% do volume total das receitas derivadas do turismo em Moçambique.

O dinamismo do sector constata-se pelo aumento progressivo da oferta de bares, restaurantes e diversos tipos de acomodação. Por outro lado, verifica-se um aumento sensível na qualidade e quantidade de eventos culturais de entretenimento, entre demais actividades associadas ao sector turístico. Tudo isto num período de tempo relativamente curto, o que manifesta a criatividade, vitalidade e vocação da cidade para o turismo.

Quem visita Maputo facilmente se apercebe de que a cidade se está a tornar numa capital multicultural. Um conjunto de factores corrobora isto, podendo destacar-se a forte presença de agências de cooperação, de ONG´s estrangeiras, além da presença de importantes empresas multinacionais que possuem os seus escritórios regionais sediados na capital moçambicana.

A multiculturalidade de Maputo resulta e se sustenta, sobretudo, pela sua base de identificações constituída por uma diversidade étnica e sóciocultural que confere à cidade a vibração de uma urbe jovem, em expansão e com uma forte capacidade para atrair e desenvolver talentos. Evidentemente que tudo tal cenário agrega valor à imagem da cidade e à experiência turística, tornando-a mais rica e multidimensional.

Tendo como pano de fundo a organização do Campeonato Mundial de Futebol a decorrer na África do Sul em 2010, e de acordo com o ciclo de crescimento económico vivenciado, a cidade está a receber investimentos importantes para a revitalização das acomodações. São estes os casos do Hotel Polana, Hotel Cardoso, Indy Village, entre outros actualmente em estado de reforma para além de outros novos investimentos em curso.

De acordo com o Ministério do Turismo, entre 2008 a 2009, 40 milhões de dólares norte-americanos estão a ser investidos no sector do turismo na Cidade de Maputo. Os projectos apresentados pelos investidores indicam que este capital irá gerar directamente 3.240 empregos novos e outros 9.720 postos de trabalho de forma indirecta, a nível local.

Ao mesmo tempo, outras actividades importantes ligadas ao sector do turismo estão a ser objecto de apoio adicional do Governo e instituições locais e internacionais de desenvolvimento, com particular destaque para as áreas de cultura e formação vocacional.

Na área cultural, é possível identificar iniciativas marcadas através de eventos teatrais, musicais, espectáculos de dança e manifestações culturais tradicionais resultantes de esforços levados a cabo por promotores culturais privados e do sector público. Aqui se pode destacar nas artes e no artesanato a CEDARTE, a ANARTE, o Cantinho dos Artesãos e o Programa de Indústrias Criativas da UNESCO.

Na área de formação vocacional, a SNV tem realizado um importante trabalho de assessoria técnica com os órgãos competentes, contribuindo para uma unificação dos critérios de formação. Assim mesmo, está sendo desenvolvida uma iniciativa em parceria com o governo brasileiro, e com o SENAC em particular, no sentido de fortalecer a capacidade institucional nacional para a capacitação dos profissionais do sector.

O ciclo de desenvolvimento do turismo na Cidade de Maputo deve ser estimulado como forma de minimizar e superar os impactos da crise financeira internacional e tirar vantagem da actual situação.

Nesse sentido, surgem vários desafios como meio de capitalizar a presente estabilidade social e política; a forma particular de ser e de estar dos citadinos de Maputo e o ambiente vibrante de que a cidade goza. De igual modo, é importante tirar partido do ambiente de negócios inovadores e criativos que se desenvolvem na cidade, principalmente pela forte entrada de capital financeiro e humano (nacional e estrangeiro), além da localização excepcional da cidade do ponto de vista logístico.

Neste âmbito, levantam-se diversas questões no sentido de identificar as intervenções prioritárias nas axtividades-chave ligadas ao sector do turismo, particularmente aquelas que podem resultar num forte impacto em termos de benefício para as pessoas de baixa renda e em particular para os empreendedores nacionais, sem descurar os empresários e as empresas estrangeiras que trazem consigo fortes e interessantes sinergias com os mercados regionais e internacionais de longa distância, além de experiências e práticas que muito podem contribuir para fazer evoluir o cenário geral do turismo no espaço de Maputo.

Este cenário traz à luz importantes questões que devem ser objecto de reflexão dos governos local e central, e que podem ajudar a perceber formas apropriadas e eficazes de intervenção a partir da perspectiva de dinâmicas propostas pela aplicação da actual política económica.

Primeiro, temos de pensar se devemos abordar a economia do turismo a partir da perspectiva da oferta, ou seja, através da visão de quem oferece produtos e serviços, ou por via de uma perspectiva territorial ou de destino turístico.

Enquanto diversos economistas continuam a defender a idéia de uma abordagem sob o ponto de vista da oferta nas intervenções da política económica desde que se consolide a economia do turismo, admite-se cada vez mais que o lado da oferta é, embora eficaz para certas análises, uma perspectiva restrita que não considera a natureza transversal do turismo e os fenómenos sociais e não económicos que ocorrem num território considerado como um destino turístico, uma questão central quando se planifica e se desenham políticas de turismo eficazes.

Neste sentido, uma abordagem territorial ao desenvolvimento do turismo, não só deve incluir a cadeia produtiva tradicional de turismo (hotéis, transportes, agências de viagens, bares e restaurantes), mas ainda integrar outros elementos que influem na qualidade do ambiente público, como a segurança e a saúde públicas, o clima de hospitalidade e a receptividade da população, além de outros factores sócioculturais e ambientais.

Esta perspectiva de desenvolvimento do turismo leva-nos a uma outra etapa na análise sobre como uma política económica de turismo pode contribuir para o desenvolvimento dinâmico e criativo da cidade de Maputo. Este termo “criativo” que se aponta ao longo deste artigo não vem por acaso. Precisamos ser verdadeiramente ousados e criativos para a cidade se afirmar como uma das capitais criativas de África. Este é um dos maiores e mais importantes capitais de um país, o capital da criatividade. Saber explorá-lo é uma arte que a maior parte das cidades mais competitivas e atractivas do mundo estão a compreender e a aproveitar cada vez mais.
Desde meados da década de 70 do século XX, foram desenvolvidos muitos modelos de intervenção, e os mesmos foram aplicados em diversos países em desenvolvimento para efeitos de planificação turística e políticas económicas.

Actualmente, é quase consensual a idéia de que o desenvolvimento do turismo deve ser planeado através de uma abordagem sistémica ou holística, onde por conceito ocorre uma natural interdependência entre os aspectos económicos e actividades não económicas como as infraestruturas, os serviços públicos e qualidade ambiental, estabilidade e inclusão social, sendo este o princípio fundamental do conceito de Turismo Sustentável.

Tendo isto em conta, é possível perceber a importância de um marco normativo e orientador eficaz para o desenvolvimento do turismo na cidade de Maputo. Os decisores políticos da Cidade de Maputo poderiam, neste caso, promover um mapeamento dos pequenos pólos de turismo e cultura que se vêem desenvolvendo na cidade, podendo inclusive tematizá-los e organizá-los num ranking de prioridades de investimento.

Seria importante o seguimento deste mapeamento dos micro-pólos de turismo em Maputo com incentivos para investimentos comprometidos eticamente e economicamente com os 7 Mecanismos do Turismo Pro-pobre como expressos pela Organização Mundial do Turismo.

Estas idéias levam-nos à conclusão de que a actividade turística na cidade de Maputo, se entendida numa perspectiva mais ampla e abrangente, pode ser um elemento fundamental para induzir a geração de trabalho e rendimentos no âmbito local e nacional.

Contudo, este patamar só pode ser alcançado se a Cidade (governo, iniciativa privada e população) trabalharem juntos para capitalizar o seus activos culturais, humanos, ambientais e territoriais estimulando novos negócios e trazendo e retendo na cidade talentos, idéias criativas e capitais dos mais diversos.